Nosso desejo nesta unidade é trazer contribuições efetivas sobre a prática docente na educação infantil.
Deste modo, para nós, apontar, descrever ou simplesmente sugerir jogos, brinquedos e brincadeiras a serem realizados com a criança de zero a cinco anos no contexto da Educação Infantil vai muito mais além do que a simples efetivação de um produto, brinquedo ou de uma simples ação... Brincar.
Portanto, reconhecer verbalmente a importância da ludicidade na pratica docente não basta para garantir uma pratica lúdica com qualidade. Deste modo, acreditamos que um dos caminhos necessários para a quebra de paradigmas ainda existentes na pratica docente no que diz respeito ao descrédito pedagógico da ludicidade, ou ainda, na tentativa de vencer as exigências de uma sociedade capitalista que exige da criança produtividade acadêmica desconsiderando a ludicidade.
Venha ser a presença da ludicidade no planejamento docente, pois, na visão do professor, este documento registra as oportunidades de aprendizagem de seus alunos.
Assim, incluir a ludicidade no planejamento demonstra que o professor reconhece o seu papel como promotor de aprendizagem. Diante dessa compreensão de ressignificar as praticas lúdicas realizadas com as crianças de zero a cinco anos, destacamos a importância de as atividades lúdicas serem planejadas pelo professor.
De acordo com esse pensamento, Crepaldi ( 2010 apud ANGOTTI,2010 ) afirma que planejar os jogos e as brincadeiras levando em consideração a realidade das crianças, portanto, planejamento para o aluno real muito favorecerá o sucesso da brincadeira, e, com certeza, haverá muitos interessados em brincar.
Outro aspecto elencado pela autoria é a questão dos objetivos a serem atingidos com a construção de um brinquedo. Por exemplo, vou construir um jogo da memória, que objetivos atingir com o meu aluno, que materiais devem ser providenciados para que a construção seja um sucesso.
Não podemos deixar de destacar a importância de elencar os conteúdos presentes na confecção desse brinquedo, assim, ao construir o jogo da memória com as crianças, estaremos trabalhando com a noção de semelhanças, com a memória imediata, com a noção de igualdades e diferenças etc.
Ao planejar a construção de um brinquedo com seus alunos, é necessário levar em consideração quais os conhecimentos e habilidades motoras de seus alunos, analisando para isso se eles sabem recortar, sabem encaixar, sabem pintar, sabem montar etc.
Outro aspecto importante é o trato das relações interpessoais, principalmente se há necessidade de comportamentos como emprestar, ajudar, fazer junto, estimulando a ajuda mútua, além de levá-los a respeitar e valorizar as produções dos outros sem fazer comparações ou julgamento de valores.
Também saber economizar, não desperdiçar, bem como colaborar depois com a organização da sala.
O tempo deve ser outro fator importante a ser planejado na confecção do brinquedo. É preciso analisar se há tempo hábil para confeccionar e brincar com brinquedo proposto, bem como é preciso explicar para as crianças as fases da confecção, principalmente quando o brinquedo precisa secar para ser utilizado. Desta forma, ajudamos as crianças a lidarem com as frustrações e ansiedades.
Por ultimo não poderíamos deixar de lado o processo de avaliação, ponto de destaque da organização da nossa pratica docente. Devemos avaliar primeiro se os objetivos da aprendizagem foram atingidos, depois avaliar se o que foi planejado ocorreu adequadamente, e o que deve ser mudado em uma próxima confecção de brinquedos. No entanto, não podemos deixar de ouvir as crianças sobre suas impressões e sugestões.
Ao cercar todas essas necessidades, no olhar de Crepaldi ( 2010, p.20 ) é necessário reconhecer que: “Fazer brinquedos não se restringe ao produto, carrinho, boneca, mas ao processo de criação e experimentação, de planejamento e construção, de reflexão e de ação, de prazer e de frustração, transformar imagens mentais em objetos concretos é próprio dos cientistas e inventores, que inovam constantemente o mundo em que vivem.”
Apesar de todo o cuidado no planejar atividades lúdicas, devemos também dar voz e vez para as crianças afim de que elas manifestem quais são os brinquedos que lhes agradam e expliquem o por quê.
Incluir o lúdico no fazer docente do professor de educação infantil é também contribuir com a construção de uma sociedade brincante, que reconhece a ludicidade como um comportamento social da criança.
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